Os smartphones irão desempenhar um papel cada vez mais importante na próxima geração de inclusão financeira digital. Dispositivos mais baratos, modelos tarifários inovadores e redes móveis com capacidade de trafegar dados contribuem para um ritmo acelerado de adoção de smartphones. Na verdade, em 2014, mais da metade dos provedores de dinheiro móvel ofereceram um aplicativo, e nós esperamos um maior apetite para o desenvolvimento de aplicativos nos próximos anos. A tendência subjacente sugere que, para os usuários, os aplicativos estão se tornando uma necessidade básica, não apenas uma opção adicional de acesso.
Acreditamos que a região da América Latina e Caribe (LAC) é um lugar particularmente interessante para observar o desenvolvimento de aplicativos de dinheiro móvel, pelas seguintes razões:
• Em 2020, quase 70% dos usuários da LAC irão adotar smartphones, tornando esta a região em desenvolvimento com a maior penetração de dispositivos de próxima geração
• A região é uma “campeã móvel” quando se trata de primeiros usuários e uso de aplicativos – por exemplo, LAC lidera a utilização mundial em mídias sociais e o usuário médio tem 18 aplicativos em seu smartphone
Como era de se esperar, os provedores de dinheiro móvel na região estão investindo no desenvolvimento de aplicativos e em melhorar o padrão de experiência do usuário e as funcionalidades. Destacamos alguns novos recursos de aplicativos que têm potencial para acelerar o desenvolvimento do ecossistema de serviços financeiros móveis:
- Geração de código de barras para pagamentos de mercadorias e transferências P2P
No México, o aplicativo de serviço Transfer da Telcel permite que os usuários gerem um código de barras para pagamentos de mercadorias a ser escaneado por um leitor de códigos de barras de um caixa, ou por meio do próprio aplicativo para transferências P2P:
Isso facilita interações mais simples com terceiros e evita revelar o número do celular do usuário em ambientes não confiáveis.
- Escaneamento de código de barras para pagamentos de contas
Inserir informações para pagamentos de contas por meio do Serviço de Dados Suplementares Não Estruturados (USSD, na sigla em inglês) pode ser demorado e propenso a erros. O Brasil usa um sistema bancário unificado para pagamentos de contas, que consiste em um código de barras padrão e uma combinação de 47 números como identificador exclusivo [1]. Para facilitar a adoção deste sistema por meio do dinheiro móvel, o app da Zuum permite aos clientes utilizar suas câmeras de smartphones como scanners de código de barras. O processo é muito mais simples devido ao software de decodificação de códigos de barras incorporado que converte o código de barras diretamente na sequência única de números. Outros países da região, como Argentina e Uruguai, também oferecem recursos semelhantes de pagamento de contas com código de barras e essa parece uma tendência parece a continuar.
- Expandindo as contas de dinheiro móvel a todos os consumidores, independentemente de sua operadora de rede móvel
Serviços de dinheiro móvel estão muitas vezes ligados a uma rede móvel específica, seja por meio de um cartão SIM ou canal USSD, e isso pode limitar o número de clientes endereçáveis dentro de um mercado. Utilizando métodos de autenticação adequados, apps agnósticas a operadoras podem ajudar a aumentar o tamanho do mercado. Por exemplo, quando um novo cliente se inscreve no Zuum por meio do aplicativo, uma lógica verifica a qual operadora um número de celular em particular pertence. [2] Mesmo se o cliente estiver fora da alçada da Vivo (operadora parceira da Zuum), o usuário ainda é capaz de utilizar todos os recursos de dinheiro móvel no aplicativo.
Notas sobre a usabilidade e segurança dos apps
Como o CGAP (Consultative Group to Assist the Poor) observa em seu relatório Doing Digital Finance Right, um dos principais riscos para o consumidor na absorção de serviços de dinheiro móvel são as interfaces de usuário complexas ou confusas. Ao projetar aplicativos, provedores de dinheiro móvel devem levar em conta as melhores práticas de experiência do usuário para pequenas telas de smartphones, sensíveis ao toque. Outros aspectos como o acesso a dados otimizado também devem ser considerados.
Como ponto de partida, os desenvolvedores de aplicativos podem buscar referências do Smarter Apps da GSMA para Telefones Mais Inteligentes, um documento de referência destinado a abastecer desenvolvedores com orientações e recomendações para apps otimizadas para quaisquer potenciais restrições ou limitações de rede ou de duração de bateria.
A segurança é outro aspecto crítico para o desenvolvimento de um aplicativo funcional. Aplicações introduzem um trade-off de segurança ao passar de um canal “murado” controlado por uma operadora, como USSD, por exemplo, para um canal baseado em internet com sistemas operacionais específicos (OS). Malwares e ataques baseados em internet e OS poderiam potencialmente comprometer os dados do usuário.
LAC assumindo a liderança
LAC está tomando a liderança na criação de aplicações de dinheiro móvel seguras e de fácil utilização. Um estudo recente sobre aplicativos de dinheiro móvel e serviços bancários reconheceu o app Zuum por sua capacidade de preservar a integridade das transações dos clientes, apresentando elevados padrões de segurança. Ao mesmo passo em que a Zuum investiu fortemente no desenvolvimento do aplicativo, também pode ter se beneficiado dos fortes sistemas financeiros e bancários do Brasil, que já contam com canais baseados na Internet e, como tal, têm desenvolvido um conjunto rigoroso de regras de segurança, particularmente para apps.
Provedores de dinheiro móvel em todo o mundo levam a segurança do cliente muito a sério, e discussões sobre o desenvolvimento de apps envolvem compromissos com a experiência do usuário, segurança e custos de desenvolvimento. Como o app Zuum tem mostrado, um equilíbrio entre estes aspectos pode ser encontrado, e esperamos que mais provedores de dinheiro móvel invistam e desenvolvam aplicativos best-in-class.
Veja nossas publicações relacionadas:
- Mobile financial services in Latin America & the Caribbean: State of play, commercial models, and regulatory approaches
- GSMA MMU Infographic: Mobile Money in Latin America & the Caribbean
- Smartphones & Mobile Money: The Next Generation of Digital Financial Inclusion
Notas:
[1] Fonseca, Carlos Eduardo Corrêa da. Tecnologia bancária no Brasil : uma história de conquistas, uma visão de futuro / Carlos Eduardo Corrêa, Fernando Meirelles, Eduardo Diniz ; coordenação editorial Sônia Penteado. – São Paulo: FGVRAE, 2010.
[2] Além disso, os provedores de dinheiro móvel podem identificar quais operadoras possuem ou oferecem um número de celular em particular. No Brasil, a autoridade de portabilidade numérica fornece uma API para consulta. Globalmente, a GSMA também oferece um serviço de pesquisa em todo o mundo por meio do PathFinder.