O crescimento do uso de dados significa que diferentes tecnologias precisarão de espaço para crescer. Os serviços móveis e o Wi-Fi compartilham dos mesmos objetivos e balancear o uso da faixa de 6 GHz permite que ambos prosperem.
O potencial da conectividade de fomentar a economia, promover inclusão social e contribuir para os objetivos de diversas políticas públicas é tema central em todo o mundo. Em tempos de instabilidade econômica, ampliar o acesso à banda larga se faz essencial para gerar empregos, ampliar a diversificação econômica e possibilitar a modernização industrial.
Conectividade significativa não é alcançada por meio de uma única tecnologia. Na GSMA, após muitos anos de discussões, acreditamos estar próximos de uma solução quase global que garanta um futuro sólido tanto para os serviços móveis quanto para o Wi-Fi em 6 GHz, com a porção inferior da faixa (5,925-6,425 GHz) utilizada pelo Wi-Fi, e a porção superior (6,425-7,125 GHz) destinada aos serviços móveis. Na Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2023 (CMR-23), países representando 60% da população mundial apoiaram essa solução equilibrada e, com a adesão esperada de novos países, incluindo a Índia, esse número deve chegar a mais de 80%. Nem todos seguirão esse caminho, mas, até o momento, é provável que a maioria o faça.
A recente decisão da Anatel estabelece as bases necessárias para o desenvolvimento de ambos os serviços. Ao destinar a parte superior da faixa de 6 GHz para os serviços móveis em janeiro, o Brasil se junta a esse grupo de países que busca equilibrar as necessidades das duas tecnologias. Isso significa que tanto o Wi-Fi quanto os serviços móveis terão os recursos necessários para ampliar a inclusão digital, oferecer acesso à educação, fomentar a geração de empregos, além de permitir inovação tecnológica e industrial.
A faixa de 6 GHz é nova para ambas as tecnologias no Brasil. Três anos após a decisão original de liberar toda a faixa ao Wi-Fi, apenas 0,12% das conexões Wi-Fi utilizavam qualquer porção de 6 GHz em 2024, deixando os 500 MHz da parte inferior da faixa ainda praticamente livres para desenvolvimento. As operadoras móveis precisarão da porção alta da faixa na segunda metade desta década ou no início da próxima, durante a era do 6G.
O papel dos serviços móveis em prover uma conectividade inclusiva será fortalecido pela faixa de 6 GHz. Acesso para todos é essencial: nenhuma conectividade é gratuita – Wi-Fi ou celular – mas é importante considerar como a inclusão digital é incentivada pelos serviços móveis, já que qualquer pessoa com um celular pode se conectar sem a necessidade de um computador, um roteador ou uma rede fixa. O custo do acesso aos dados móveis reduziu consideravelmente no Brasil e no mundo – globalmente, o preço médio por GB caiu 96% entre 2014 e 2024. No Brasil, a penetração da fibra óptica, necessária para o Wi-Fi, é mais alta nas áreas de maior renda, o que significa que uma rede móvel de alta capacidade, ampliada com mais espectro, pode contribuir para um acesso de maior qualidade para todos. A cobertura populacional do 4G já está próxima de 100% no nosso país, enquanto o 5G já alcança 70% da população.
Quando começamos a analisar a faixa de 6 GHz no final da última década, os membros da GSMA viam a possibilidade de contar com 1.200 MHz de espectro – toda a faixa de 6 GHz, de 5,925 a 7,125 GHz – como solução para suprir suas necessidades futuras de capacidade. No entanto, à medida que outras partes interessadas manifestaram seu interesse, ficou claro que a divisão do espectro seria necessária, já que tanto as nossas próprias redes fixas quanto nossos parceiros do setor de Wi-Fi precisavam de recursos de espectro não licenciado. No Brasil, assim como em outros países, as operadoras móveis também são grandes fornecedoras de serviços fixos, o que lhes confere uma visão plena para o desenvolvimento das duas tecnologias.
A ampla concorrência é um pilar fundamental de qualquer mercado robusto, e a decisão da Anatel sobre a faixa de 6 GHz permite que ambos os setores cresçam. Já está claro que destinar toda a faixa para apenas um dos serviços não seria positivo para o Brasil.
Com a decisão tomada, agora é o momento de trabalharmos juntos – de mãos dadas – para alcançar nosso objetivo comum: oferecer serviços cada vez melhores para toda a população do nosso país. Vamos, portanto, garantir o uso mais eficiente da faixa de 6 GHz e proporcionar conectividade para todos os brasileiros.
